Plenitude em Deus

Chamamos Deus a Inteligência Infinita, criadora do Universo, à fonte de toda a Vida. No livro dos espíritos os espíritos superiores revelam a Kardec que Deus é a inteligência Suprema, causa primeira de tudo o que existe. Não há efeito sem causa, nos dizem eles. Procurai a causa de tudo o que existe e que não é obra do homem e a vossa razão responderá.

Para crer-se em Deus, nos fala o codificador, basta se lance o olhar sobre as obras da Criação. O universo existe, logo, tem uma causa. Duvidar da existência de Deus é negar que todo o efeito tem uma causa e avançar que o nada pode fazer alguma coisa. A harmonia existente nos mecanismos do universo patenteia combinações e desígnios determinados e, por isso mesmo, revela um poder inteligente.  Atribuir a formação primeira ao acaso é insensatez, pois que o acaso é cego e não pode produzir os efeitos que a inteligência produz. Um acaso inteligente já não seria acaso. Pelas obras se pode avaliar a inteligência de seu autor. Nenhum ser humano pode criar o que a natureza produz, o que atesta a superioridade da inteligência de Deus.

A inferioridade das faculdades do homem não lhe permite compreender a natureza íntima de Deus. Na infância da Humanidade, o homem atribui a Deus as suas próprias imperfeições. Ainda hoje, muitas vezes, nós personalizamos Deus, vendo-o parecido conosco, como se estivéssemos atrás de uma vidraça, manchada pelas nossas falsas crenças, limitada pelos nossos padrões, vícios e sistema de crenças. Os espíritos dizem que, para compreender Deus nos falta ainda um sentido que vai se desenvolvendo a medida que progredimos moral e intelectualmente. Com o nosso raciocínio, porém, já podemos compreender algumas das características da divindade. A razão nos diz que Deus deve possuir em grau supremo todas as perfeições e daí segue-se que podemos falar dos seguintes atributos:

Deus é eterno. Se Ele tivesse um princípio o nada teria sido o criador. Se tivesse sido criado por alguém, esse alguém seria a divindade. Ele é imutável, porque se estivesse sujeito a mudanças as leis que regem o Universo não teriam estabilidade.

È imaterial. Tudo o que é material está sujeito a mudanças. Por isso Deus, que não está sujeito a mudanças, tem sua natureza diferente de tudo o que chamamos de matéria e não pode ser visto com os olhos materiais. Mas podemos senti-lo quando aguçamos nossas percepções nas práticas da oração, do silêncio, do bem aos semelhantes, da meditação, visualização dentre outros recursos que nos auxiliem a mudar os nossos padrões antigos, que limitam a nossa consciência.

Ele é único, pois se houvesse muitos deuses não haveria unidade de poder e e de visão na ordenação do Universo.

Deus é o supremo poder do Universo. Se houvesse alguém mais poderoso que que o Criador de todas as coisas ou tão poderoso quanto ele já não seria único. Ele possui a consciência de tudo, ele tudo sabe, pois é o que tudo cria, tanto a matéria, que não pensa, quanto o princípio inteligente, que são os espíritos. Deus transcende qualquer gênero. Podemos pensar nele como o pai criador, mas também como a divina mãe que nos mantém com suas energias amorosas.

Deus é, enfim, soberanamente justo e bom, é todo misericórdia. Criou leis de justiça e amor que regulam o cosmos. Quando infringimos essas leis, criamos necessidade de recompor o equilíbrio que desfizemos e daí surgem os processos reparadores, muitas vezes dolorosos, com finalidade educativa.

Jesus veio nos revelar Deus não como um juiz severo, que inspira temor, mas como o paizinho que nos ama e perdoa, que aguarda o nosso retorno ao seu seio de amor quando nos desviamos dele ao transgredirmos Suas Leis.  É o que ele nos ensina na parábola do filho prodigo. Nos esclarece que o Pai cuida de nós e que nenhum fio de cabelo cai de nossas cabeças sem que haja a Sua permissão. Tudo em nossa vida tem um sentido, e está realizando um propósito. Todos os acontecimentos estão organizados em padrões na tapeçaria infinita da nossa existência que jamais termina. Há momentos em que há tanta sincronicidade que nos apercebemos que não estamos sós e que em tudo há um sentido belo e útil.

Deus, então, jamais nos impõe sofrimentos. Eles vêm como consequência dos nossos equívocos, sinalizando necessidade de reajustarmos nossos pensamentos, palavras e atos. Nos retiram do nosso aprisionamento em padrões conscienciais equivocados.

Toda a criação inicia na mente de Deus, em um nível invisível aos olhos humanos, fora do tempo e do espaço, antes de manifestar-se na esfera espiritual ou material. Nós, os seres criados pela Divina Mãe, gravitamos no Campo de Força do Seu Amor, nessa rede de energia que flui através de todos os seres vivos e mantém-se conectada ao pensamento do Criador. É essa rede de energia nos mantém a vida, nos possibilita o pensamento contínuo, nos sustenta as funções inconscientes do corpo físico.

O lugar eterno onde o Pai está é em tudo e em todos, dentro e fora de nós, imanente e transcendente, e pode ser acessado a todo o instante quando acendemos o desejo de integração com a Sua presença.