Angústia e Serenidade

 
“Desse-vos essas coisas para que tenhais paz em mim. Haveis de ter aflições no mundo, mas tende confiança, eu venci o mundo” JESUS (João, 16:33)."

Muitos irmãos procuram as religiões buscando alívio para uma forte e recorrente emoção caracterizada por sensação de abafamento, de dor e ressentimento. Em algumas vezes é como um pressentimento, como se algo terrível fosse acontecer. Em outras ocasiões essa emoção surge diante de perigos e circunstâncias reais, como uma doença, desemprego, separação conjugal, ameaças e, muito comumente, com criações mentais fantasiosas, quando projetam cenários difíceis que fazem brotar no peito essa sombra, essa emoção chamada angústia. Proveniente do latim, a etimologia da palavra nos auxilia a lhe compreender o sentido: carência, falta, espaço reduzido e estreiteza.

Difícil é encontrar alguém que afirme jamais ter sentido essa dor moral diante dos desafios que o mundo oferece aos viajores da vida! Com justo motivo, filósofos e cientistas, ao longo da história, lhe buscaram as causas, oferecendo suas interpretações sempre ajustadas às lentes pessoais de compreensão do sentido e valor da vida humana.

Jean-Paul Sartre, filósofo francês contemporâneo, representante maior da corrente Existencialista, defendeu que a angústia surge no exato momento em que o homem percebe a sua condenação à liberdade, isto é, o homem está condenado a ser livre, posto que sempre haverá escolha. Ao perceber tal condenação ele se sente angustiado em saber que é senhor do seu destino.

Para a Psiquiatria, a angústia também pode ser gerada por questões fisiológicas, como anemia, menopausa, problemas cardíacos, hormonais etc. Mesmo quando ela tem origem puramente emocional pode se tornar patológica, produzindo problemas psicossomáticos que afetam todo o organismo humano. Nesses casos é fundamental o apoio profissional.

Sigmund Freud, pai da Psicanálise, durante décadas pesquisou a angústia e concluiu que vivemos em um profundo mal-estar gerado pelo avanço do capitalismo e dos desafios dele decorrentes. Estudando o aparelho psíquico propõe, igualmente, a existência de um constante equilíbrio interno entre três instâncias psíquicas que estruturam o equilíbrio do ser humano: Nossos desejos (Id) vivem em constante atrito com o nosso instinto repressor (Superego). À consciência (Ego) cabe o papel de avaliar as consequências dos desejos e decidir a cada caso se é conveniente atender aos apelos do Id ou aos do Superego. Para Freud esse permanente conflito intrapsíquico é a causa das nossas angústias.

A Doutrina Espírita nos alarga o caminho de pesquisa das diversas causas de nossas aflições, e nos indica medidas de prevenção e cura desses males da alma. Não temos poder sore os acontecimentos, mas sobre nossa reação a eles.

Para o Espiritismo somos espíritos imortais, criados simples e ignorantes por Deus, a Inteligência Suprema, Grande Causa da vida, e já tivemos inúmeras experiências ligados a um corpo físico, em nosso processo de evolução. A responsabilidade que temos em nossas decisões está na razão direta do nível de consciência alcançado e, por isso, podemos afirmar que as alegrias e aflições exteriores são repercussões de nossas escolhas do passado, que nos situam em determinados padrões de experiências educativas.

Múltiplas podem ser as causas das angústias que algumas vezes ensombram nossas existências. Além das perdas e das frustrações geradas pelo cotidiano da vida, podemos trazer traumas, medos, dessa ou de anteriores existências, que vêm à tona diante de determinados desafios. Trazem vibrações que nos mobilizam, gerando aflições, aparentemente, inexplicáveis. Além disso, como tudo o que pensamos gera elementos bioquímicos e energia, cogitações pessimistas, julgamento das atitudes alheias, lembranças desagradáveis quando levantadas sem objetivos funcionais iniciam desnecessários estados mórbidos de humor.

Ao tratarmos a angústia assim que ela desponta, sem medo, vendo-a como um recurso para que identifiquemos algo em nós que necessita de cuidado, ela funciona como um excelente sinalizador que, no entanto, vai entorpecendo aos poucos nossos centros mentais de discernimento se teimarmos em não lhe dar ouvidos.

Maria Clara orienta que observemos os pensamentos que antecedem às sensações de angústia. Têm eles uma base em desafios reais que estamos atravessando? Se positiva a resposta, oremos rogando a Deus inspiração para que planejemos passo a passo a solução dos mesmos. Realizando o que nos cumpre, treinemos a confiança irrestrita em Deus e caminhemos posicionando a mente no momento presente, o único real. “A cada dia basta o seu mal”, nos alerta Jesus. O Mestre ainda esclarece: !se sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, sendo maus como sois, o que vos dará vosso pais que está nos céu quando lho pedirdes?...” (Mateus, 7:11).

Se o processo de angústia não apresenta causa aparente, certamente ele é um convite a mudanças existenciais. Pode estar indicando a necessidade de rumos novos que irão surgir se você, aos poucos, como quem dá pequenos passos, saindo bem mansinho da zona de conforto, integrar ao seu cotidiano atividades produtivas que lhe tragam prazer, oração em horários definidos, pelo menos, uma vez ao dia, meditação, leituras edificantes, passes, prática de esportes, acompanhamento profissional médico ou psicológico, abraçar amigos e todos os recursos, inclusive o da arte, que possibilitem a neutralização de fixações mentais em temas disfuncionais e processos hipnóticos.

O psiquismo curador do Cristo, nosso terapeuta por excelência, está ao seu alcance. Entramos em contato com Ele pela prática do bem sem apego a resultados ou a aplausos, pela oração, pela prática do perdão e por uma afinidade de técnicas espirituais. A visualização terapêutica a seguir é um recurso que facilmente abre nosso cosmo íntimo para as luzes de Jesus e tem o poder de despertar estados de serenidade de Jesus curando sua vida e iluminando seu caminho.

 

VISUALIZAÇÃO TERAPÊUTICA

Recolha-se, em lugar onde ninguém o (a) interrompa e, após sentida a prece, imagina-se subindo linda escada que finda diante de uma porta. Observe a porta, seus contornos, sua aparência. Atrás existe um lugar sagrado...

Abra a porta. Ao abri-la você se percebe em um local cercado por bela vegetação... É um recado seguro e acolhedor. Delicioso aroma perfuma o ar... seus pés descalços sentem a relva macia... ouça a cantilena das águas de um rio próximo... é o rio Jordão... tal qual ele era à época de Jesus... Perceba uma silenciosa e amorosa presença... o psiquismo do Cristo e Seu inconfundível amor se manifestam agora aí, nesse espaço interdimensional!

Permita-se banhar nas águas vaporosas desse rio espiritual... entre sem receio... sinta a correnteza com mansuetude envolvendo docemente seu corpo... águas tépidas... leves como vapor a escorrer por suas mãos... Sinta agora energias novas penetrando pelos seus poros e desfazendo em você angústias e mal-estares... permita-se sentir a ativação da serenidade, da confiança em Deus... da alegria de viver... usufrua este momento...

Quando desejar retornar basta retirar-se das águas, imaginar-se diante da porta e descer a escada que conduziu você até aí... Retorne quantas vezes desejar a este paraíso... e banhe-se nas energias curadoras de Jesus!

Texto retirado do livro "Vivências com Jesus", de Yasmin Madeira