O médico das almas

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A Doutrina Espírita nos apresenta uma leitura absolutamente diferenciada da doença. Para o Espiritismo a enfermidade, física ou psíquica, pode ser vista como um processo terapêutico da alma em evolução, uma espécie de absorção pelo corpo físico dos estados mórbidos gerados por pensamentos, emoções e atitudes desviadas, quando não nos utilizamos a tempo dos métodos de reequilíbrio que as leis de amor universal nos propiciam, já que, como nos indica Jesus, “o Amor cobre a multidão dos pecados”...

Nossas escolhas, expressões de nossa individualidade, geram respostas energéticas e vibratórias em nosso perispírito, o conhecido corpo semi material do Espírito, estudado por Allan Kardec, elo de ligação com o corpo físico, ativando potenciais crísticos em nossa caminhada ascencional ou ocasionando desequilíbrios vibratórios a se expressarem no corpo físico exigindo toda uma programação de reflexões, reajustes, disciplina, resignação, perseverança para alcançarmos o reequilíbrio. Jesus desvela essa relação entre os nossas escolhas conscientes e o corpo nos processos de enfermidade nas ocasiões em que realizava as curas: “Estás curado. Não pequeis mais para evitar que te aconteça coisa ainda pior”, diz ao paralítico de Betsda.

Em nossas cogitações em torno da saúde e da doença, é importante refletirmos que tudo o que existe é energia, em diferentes níveis, nessa diversidade universal criada pela Inteligência Suprema, a causa primeira de todas as coisas. Allan Kardec nos esclarece que estamos mergulhados em uma substância criada por Deus, o fluido cósmico universal, cujas transformações formam os inumeráveis corpos da natureza do mundo material e espiritual.

Nossos corpos, tanto o perispiritual quanto o físico, portanto, são construções energéticas, condensações do fluido, nas quais nós, espíritos imortais, criados igualmente por Deus, nos ligamos, nos enraizamos. Eles possuem a função primordial de nos possibilitar à consciência uma infinidade de percepções e de nos permitir experienciar o universo que nos cerca e o que trazemos em nossa intimidade. Isso equivale dizer que, através deles, nós podemos ver, ouvir, saborear, cheirar e sentir a Energia criada por Deus nas diversas formas que ela assume, de acordo com o nível de percepção da realidade que o nosso nível evolutivo nos permite.

Nós podemos dar a esse fluido, pelo nosso pensamento e vontade, qualidades curativas ou doentias que geram em nossos corpos equilíbrio ou perturbações. Igualmente, como estamos conectados com tudo através dele, criamos padrões vibratórios em nosso sistema energético que geram ressonâncias e nos sintonizam com vibrações semelhantes, atraindo eventos e companhias, encarnadas ou desencarnadas, pelos processos da afinidade fluídica e sincronicidade. Enfim, estamos sempre exteriorizando uma vibração para a qual o Universo e as leis divinas dão automático e imediato retorno.

Em nosso perispírito, estando encarnados ou não, temos um reservatório fluídico e podemos utilizá-lo como agente terapêutico para nós ou irradiá-lo para quem desejarmos auxiliar. O poder curativo dependerá das qualidades de pureza que conseguirmos dar à substância fluídica e da energia da vontade. É muito comum essa faculdade de curar pela influência fluídica e pode desenvolver-se por meio de exercícios.(item 34, Cap. XIV, A Gênese, de Allan Kardec).

A captação e integração dos fluidos pelo receptor em seu sistema energético dependerá de circunstâncias cármicas ligadas ao seu processo educativo, porém será ele sempre beneficiado independente da cura física dar-se ou não. Diz Kardec que, “com relação à corrente fluídica”,
o curador age “como uma bomba calcante” e o enfermo “como uma bomba aspirante” (item 11, Cap. XV, A Gênese).

Depreende-se o poder da fé no processo de reconquista da saúde, como uma “força atrativa das energias curadoras, que, quando ausente, opõe à corrente fluídica uma força repulsiva, ou pelo menos uma força de inércia que paralisa a ação”. Compreende-se porque Jesus ao curar dizia “a tua fé te salvou” ou “se tiveres fé” ou ainda, “saiu de mim uma virtude”, como na passagem da mulher hemorroíssa, que ao tocar-lhe as vestes, em meio à multidão, alcançou a cura.

Muitas curas realizou Jesus através da ação fluídica (“ele mesmo tomou as nossas enfermidades e carregou as nossas doenças”- Mateus 8:16-17) e orientava os discípulos para lhe seguirem o exemplo: ”Curai os enfermos”(Mateus 10:8). Transmitiu o seu magnetismo
divino pelo olhar ao paralítico no tanque de Betesda (João 5:1-9) como ao de Cafarnaum (Mateus 9:2-8). Pelo toque curou o leproso (Mateus 8:1-4). No relato de Lucas (4:40) ”todos os que tinham enfermos de diferentes moléstias lhos traziam e Ele os curava impondo as mãos
sobre cada um”. Ele é o médico sublime de nossas almas em processo de iluminação.

Maria Clara nos ensina a, após uma prece, imaginarmos Jesus à nossa frente, projetando uma luz amorosa, acolhedora, que nos penetra os corpos físico e perispiritual. Aos poucos vamos sentindo que o físico se acalma e o corpo sutil se manifesta, se expande. Percebemos que ondas de energia curadora nos percorrem os corpos, neutralizando formas-pensamento perturbadoras e energias negativas, acalmando nossas dores emocionais. Nesse momento é importante pedir à Jesus e ao Pai Amoroso que nossa consciência se expanda para novas possibilidades de percepção da realidade universal e que as curas necessárias se realizem.

Permita-se usufruir desses momentos de indizível paz, de infinito amor, se possível, diariamente. Se entregue ao Mestre, deixe-o cuidar de você e seja feliz!

Texto retirado do livro "Vivências com Jesus", de Yasmin Madeira
http://www.clubedearte.org/livros/livro-vivencias-com-jesus