A última viagem de Jesus

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Lucas nos relata em seu Evangelho a última viagem do Senhor (17:11 e seguintes). Ele partiu de Cafarnaum, cidade construída nas margens do lago de Genesaré. Já vinha preparando os discípulos para o encerramento do Seu Ministério de Amor na Terra, que ocorreria em breve no dramático Calvário de Jerusalém. Estava acompanhado não só pelos discípulos mais chegados, como também por vários seguidores, inclusive mulheres (23:49).

Naquela época a Palestina possuía três regiões principais: a Galileia, ao norte, com suas terras verdejantes e suas gentes simples; a Samaria, região central, com a sua população considerada herética pelos demais judeus, e, ao sul, a região caracterizada pelo poder político e religioso, a
Judeia, onde se localizava a cidade de Jerusalém e o Templo. 

A viagem realizou-se com longas caminhadas, entre cidades e aldeias, algumas ao longo do rio Jordão, e durou cerca de seis dias, nos quais muitas vidas e dramáticas situações surgiram reclamando o amparo de Jesus, que nos desafios da realidade existencial passageira na Terra, ia desvendando as leis da Realidade Cósmica Imperecível.

Um olhar atento à série de acontecimentos que se desenrolaram nesse período nos desvela a existência de um roteiro, divino testamento que o Mestre lega a seus seguidores na sublime e desafiadora viagem de Ascensão Espiritual.

Logo no início do longo percurso, bem na divisa entre a Galileia e a Samaria, entrando em uma aldeia, dez leprosos lhe saíram ao encontro. Como as leis judaicas não lhes permitiam aproximação, gritaram ao longe: “Jesus, Mestre, tende compaixão de nós!”(17:11-19). Todos foram curados por Jesus, porém, apenas um retornou e humildemente prostrou-se agradecendo ao Senhor, que lhe diz: ”Levanta-te, vai, a tua fé te salvou!”

Logo após esse significativo evento, no qual encontramos o movimento da busca e os poderes da humildade, da gratidão e da fé postos em ação, em um contato com os fariseus o Senhor esclarece: “O Reino de Deus não virá com aparatos exteriores... o Reino de Deus está dentro de vós”. (17:20-37) Por parábolas ensina a importância da perseverança na oração (18:1-8) e alerta para os obstáculos da vaidade e do orgulho: “quem se exaltar será humilhado e quem se humilha será exaltado” (18:9-14).

Nessa ocasião, outro vital ensinamento nos traz: a simplicidade, que possui o fantástico poder de ativar campos mentais e emocionais de paz infinita, ao orientar seus discípulos que permitissem as crianças lhe receberem as bênçãos, pois o Reino dos Céus é dos que se
parecem com elas (18:15-17).

O Senhor foi iluminando com seu Amor a vida de todos os que O buscavam. Veio ao Seu encontro um jovem rico (18:18-30), que dele recebe um tesouro diferente: a revelação do desapego aos bens terrenos dos quais somos unicamente usufrutuários, como grande
ativador das percepções da realidade espiritual eterna, do “tesouro no céu”(18:18-27).

Continuando a viagem, ao se aproximar da entrada de Jericó, cidade símbolo do comércio e da ganância humana, um homem cego o chama e é repreendido pela multidão em torno de Jesus. Sem medo e na busca de sua cura, grita em desespero mais e mais até que Jesus, parando, manda que lho trouxessem: Que queres que te faça? Ele lhe pede a visão e é imediatamente atendido: “Vê, a tua fé te salvou”(18:35-43).

Logo em seguida, entra em cena Zaqueu, o chefe dos publicanos, de baixa estatura, invejado e odiado, que, para ver o Mestre, sobe em uma árvore: “Zaqueu, desce depressa porque convém que eu fique hoje em tua casa”... (19:1-10). É o Cristo redimindo os que desejam operar verdadeiramente uma adequação de suas vidas à ética cristã, “porque o Filho do Homem veio e salvar o que tinha perecido”...

Nessa adequação, ajuda perguntarmos a nós mesmos o que trazemos das características, boas ou ruins, desses personagens que passam pela vida de Jesus. À nossa humanidade enferma, marginal ou desamparada Ele ampara e cura, como fez aos dez leprosos e acolhe como fez com as crianças. Aos anestesiados e hipnotizados pelas riquezas e facilidades do mundo, Ele exorta ao desapego como fez ao jovem rico e acolhe cada atitude de reforma de conduta como fez com Zaqueu. Se O procurarmos e desejarmos atingir novos padrões de consciência na superação de nossa cegueira espiritual, Ele nos dará a luz como o fez ao cego de Jericó.

Não tema, alma querida, se opções equivocadas se multiplicaram em seu passado. Esse é o momento de renovação e Jesus lhe aguarda. Se possível, ainda hoje recolha-se a um local resguardado e certifiquese que poderá ficar a sós por uns momentos. Desligue o celular. Se
puder, inspire-se com a leitura de algumas dessas passagens utilizadas nessas despretensiosas reflexões, e, após sentida prece, busque-o! Ele lhe aguarda! Sem temores... não se julgue... Coloque ao Senhor suas angústias, suas dúvidas, suas culpas... Fale com Ele... depois faça
um silêncio interior... Não levante-se de imediato. Entregue-se a esse momento e permita-se sentir o acolhimento do Cristo de acordo com suas percepções individuais. Faça esse exercício espiritual diariamente e verá sua vida transformar-se em uma Divina Viagem tendo como
guia e protetor esse Celestial Amigo... 

Cuide-se bem e Seja feliz!

Texto retirado do livro "Vivências com Jesus", de Yasmin Madeira
http://www.clubedearte.org/livros/livro-vivencias-com-jesus