A construção de um lar de paz

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Jesus afirmou: a minha paz vos deixo, a minha paz vos dou, mas não vos dou como a dá o mundo”. A paz brota da integração de nossa vontade, pensamentos, sentimentos e atitudes com as leis divinas, naturais, repletas de amor. Assim, quando identificamos um desafio necessitamos superá-lo utilizando as ferramentas críticas e não mais nos valermos de métodos que estejam em desacordo com os princípios que esposamos. Refletirmos na seguinte questão nos pode auxiliar: o que Jesus faria se estivesse em meu lugar? 

Eis o caminho dos buscadores de Deus: ser um elemento de concórdia e paz, o que não significa que devamos concordar com o que sabemos ser equivocado e aceitar atitudes desrespeitosas. Nós podemos definir limites, pedir e oferecer esclarecimentos continuando com o nosso padrão de educação, com a nossa estrutura educada e equilibrada de relacionamento. Comportamentos mal educados não podem ser indutores de má educação e agressividade em nós, caso contrário, quem seremos nós? O comportamento alheio não pode definir o nosso. 

No campo educativo do lar somos chamados à construção da paz em um padrão calmo de convivência que é possível, mas que exige de nós permanente atenção em nosso dia a dia. 

Vivemos um momento no qual se multiplicam ações violentas dentro e fora dos limites domésticos e o medo parece espraiar-se ameaçando nossa tranquilidade. Para impedir a entrada de malfeitores em nossas casas reforçamos as portas e as janelas, construímos muros, usamos trancas, cadeados... Mas como impedir os malfeitores do Plano Espiritual de adentrarem nossos lares e fomentarem a discórdia e o mal-estar?

Há tempos atrás uma entidade amiga, que amorosamente chamamos Irmão José, nos falava sobre o assunto. Dizia que somos seres vibratórios, e que, por isso, as discussões, as palavras avinagradas, as expressões de ira ou deboche, as respostas agressivas, possuem um alto poder destrutivo, não só de nossa harmonia, mas igualmente, das camadas energéticas protetoras dos nossos lares, permitindo a entrada de espíritos perturbadores. Além disso, essas energias deletérias, que passam a circular no ambiente da casa, intoxicam os corpos físicos e perispirituais, causando mal estar e problemas de saúde.

Por isso, irmãos queridos, evitemos as discussões. Podemos resolver nossas pendências de uma forma mais lúcida, com firmeza e tranquilidade, em consonância com as nossas aquisições espirituais da atualidade. Precisaremos nos esforçar para superar antigos costumes, padrões mentais condicionados pela repetição, que nos induzem a reações irrefletidas e agressivas.

Inicialmente, se percebermos que estamos muito irritados com a situação, aguardemos um tempo, talvez até dias, antes de respondermos. Se preciso for, afastemo-nos da cena, da pessoa e recorramos à oração antes de fazermos os esclarecimentos que forem indispensáveis. Rogar ao nosso Anjo de Guarda que nos oriente, visualizar a pessoa envolta em luz e requerer a intermediação dos bons espíritos para que nos inspirem na condução do problema rumo à situação desejada são etapas que podemos integrar na resolução dos conflitos no dia a dia. É importante lembrarmos que toda a família possui Espíritos Protetores que acessamos com nossas preces, além dos Anjos de Guarda de cada familiar.

Busquemos o entendimento com aqueles que nos cercam, respeitando as limitações e o ponto de vista de cada um. Procuremos, no momento de falar, não culpar o outro, mas nos atermos aos fatos e às suas possíveis consequências. Falemos também da nossa visão da situação de forma lógica, expondo como nos sentimos diante do fato ocorrido e da atitude do outro.

Esses procedimentos nos ajudarão a solucionar os conflitos já existentes e evitar outros. Igualmente, oremos em casa diariamente, se possível com a família, e estudemos os ensinamentos de Jesus em conjunto, pelo menos uma vez por semana. Não há melhor proteção para nós, nossos amores, nossos lares.

Os Espíritos, no Evangelho Segundo o Espiritismo, nos esclarecem que na família são reunidas almas afins, que planejam juntas a nova experiência no plano material. Mas é comum encontrarmos também espíritos com os quais tivemos dificuldades, para reajustarmos as emoções, nos perdoarmos mutuamente e progredir.

Essa é a razão de vermos familiares em conflito. temos a parentela espiritual, com a qual nos afinizamos, e a família material cujos membros muitas vezes não fazem parte de nosso círculo de afinidade espiritual. Se no plano espiritual nos reunimos em conformidade com as nossas virtudes, conquistas espirituais e maturidade, no plano físico somos chamados a treinar e integrar virtudes através da convivência com espíritos de diversos níveis de entendimento. 

Estamos na Terra para treinar a superação das desavenças. Jesus nos orientou que tentemos nos harmonizar com os nossos adversários enquanto estamos a caminho, superando as divergências, respeitando as diferenças, treinando o silêncio ativo, aquele que cala para falar somente quando se encontra com lucidez suficiente para esclarecer, mas não humilhar, nem brigar ou ferir. Pense: quantas coisas dizemos em um momento de contrariedade das quais nos arrependemos depois?

É importante identificar o parente como o qual se tem dificuldades de relacionamento e trabalhar espiritualmente a relação, para: 

— Estabelecer um planejamento e iniciar, sem mais demora, um processo de cura espiritual de ambos e do relacionamento; 

— Orar e utilizar os recursos da visualização, sempre antes evocando Jesus e seu Anjo de Guarda, o Espírito Superior que conduz os processos educativos de sua existência;

— Nessas ocasiões, a nível espiritual, estender a mão ao seu desafeto e lhe falar com carinho suas razões e a forma que compreende as situações vividas, sem acusações; 

— Treine nesse momento o perdão. Como as encarnações e vivências passadas não se encontram em nosso nível consciente, peça também perdão. Quem sabe não foi você quem iniciou a dificuldade de relacionamento em outra vida e por isso atualmente sofre a incompreensão?

Culpar os outros por nossas dificuldades é colocar sobre eles a responsabilidade de construção da paz e do equilíbrio em nosso mundo íntimo e isso ninguém pode fazer por nós. Nossa única fonte segura de bem-estar é a harmonia interior que construímos através dos estudos, reflexões, meditações, orações, prática do bem. Essa tarefa é nossa, intransferível.

Não temos o poder de mudar as pessoas, mas podemos mudar a nós mesmos e estabelecer uma nova forma de convivência, de maneira a não ferirmos ninguém e não sermos feridos. Peça a Jesus inspiração e verá que a mudança para melhor vai acontecer. 

Tente observar diariamente as pessoas que convivem com você, suas necessidades, o jeito de ser. Umas são mais emocionais, outras reservadas, umas acordam bem de manhã, outras não... Que cuidados poderá ofertar-lhes? Doe-se sem esperar retribuição. Demonstre sua preocupação, fale diariamente do seu amor. Não perca uma oportunidade de fazer um carinho, de elogiar uma boa atitude. Faça as críticas com cuidado e respeito, de forma reservada, cuidando do coração dos que o cercam. Estruturando a paz em seu íntimo você pacifica o seu lar. Mas se há ruptura, por desgaste da relação, ore, ampare, mesmo que à distância, entregue a Deus e caminhe, avance, ajustando a sua vida sem julgamentos.

Vamos fazer agora um exercício de construção da paz em seu lar. Sente-se de forma confortável. Inspire, retenha o ar por um momento e expire relaxando todo o seu corpo. Observe os ruídos à sua volta. Abra-se para os sons da vida... identifique-os... eles agora vão sumindo à medida que você aprofunda o seu relaxamento. Sinta o ar entrando e saindo de suas narinas... relaxe... sem esforço permita que venha à sua mente a imagem mais bela de Jesus... observe-o com seus cabelos sobre os ombros repartidos ao meio à moda dos nazarenos... sua barba espessa, suas vestes luminosas... seu olhar amoroso. Na sua imaginação convide Jesus para entrar em sua casa. Imagine-o entrando pela porta da frente. Sua presença traz um infinito bem-estar. Dele brotam luzes que se irradiam por todos os cômodos da casa. Observe as luzes “curando” cada ambiente... 

Agora visualize seus amores em torno da mesa ou sentados na sala, alegres, conversando... Sinta em seu coração os laços de ternura que unem vocês. Perceba a ascendência moral do Cristo irresistível, impregnando a todos.

Caso você tenha alguma dificuldade de relacionamento com um amor, dirija-se a ele (a). Observe o olhar dele (a) e abra-se para perceber a dificuldade, talvez o medo ou alguma limitação, inclusive emocional. Deseje ver a pessoa como ela realmente é e deixe brotar em você compaixão pelo limites do outro. Se possível, junto com Jesus, proponha-se a abraçá-lo (a) ou dar-lhe sua mão. Se o outro ficar impassível, diga agora o quanto você deseja o entendimento e a harmonia e ofereça seus votos de paz.

 Veja todos envoltos em uma atmosfera de alegria, de harmonia... Uma egrégora protetora envolve toda a cena... permita-se sentir essa paz luminosa que só Jesus pode oferecer...

Texto retirado do livro "Vivências com Jesus", de Yasmin Madeira
http://www.clubedearte.org/livros/livro-vivencias-com-jesus