Sentindo a dor do próximo

Quando você vê alguém que você ama sofrendo você sofre junto? Você já se viu tomado pela sensação de impotência por não poder amenizar o sofrimento de um ente amado? O psicólogo Milton Menezes trata deste assunto e de como devemos proceder quando nos vemos diante dessa situação.

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De acordo com o Dicionário Houaiss, empatia é a “capacidade de se identificar com outra pessoa, de sentir o que ela sente”. Essa capacidade de identificação costuma ser acentuada quando nos deparamos com pessoas que amamos vivenciando situações de sofrimento.

Ao tratar sobre este assunto, Milton Menezes nos lembra que é da natureza humana ter empatia pelo próximo e que esse sentimento é ainda mais forte quando se trata de um parente, um amigo ou alguém de nosso convívio. No entanto devemos ficar atentos para não nos deixarmos levar pelo sentimento de impotência perante as dificuldades enfrentadas pela pessoa por quem temos empatia.

“Quando você se identifica com a dor do outro você sofre junto com ele, mas quando se identifica com a necessidade do outro você pode ser mais ativos e auxiliar esta pessoa a superar a dificuldade que ela enfrenta”, explica Milton.

Muito mais do que ficarmos abatidos, devemos pensar em ações que podem, de fato, auxiliar aquela pessoa a superar aquela fase de sofrimento. Isso não quer dizer que devemos nos tornar insensíveis e sim que devemos trabalhar para que tornar esse sentimento solidário em ações positivas e produtivas. A empatia é necessária, mas é importante que tenhamos a percepção de que ninguém passa por um sofrimento por acaso e que podemos ajudar estas pessoas através de ações positivas que vão além da simples identificação com o sofrimento do próximo.

É claro que é comum que sejamos abatidos pela sensação de impotência quando não podemos ajudar aquele que sofre a superar essa fase. Entretanto, mesmo quando aquele que sofre é um filho ou um irmão, é necessário manter um certo distanciamento. Por mais que desejemos ajudar este ente querido, esse sofrimento é algo que ele precisa passar e, em muitos casos, mesmo com as nossas tentativas de ajuda, a própria pessoa não percebe que é ela a causadora de seu sofrimento.

Nós não temos como fazer as pessoas mudarem se elas não quiserem e, ao invés de nos desanimar, esta percepção deve servir para tornar mais fácil a compreensão de que ninguém muda porque queremos. Da mesma forma, é ainda mais importante lembrarmos que ninguém muda sozinho.

Nossa linha de atuação está entre estas duas percepções, quando agimos conscientes de que a mudança tem que partir da pessoa que sofre, mas que, ao mesmo tempo, ela não deve ser deixada sozinha porque poderá não ter forças para fazer isso sozinha.

Quando conseguimos interiorizar esta noção, nos tornamos mais preparados para lidar com as dificuldade e fica mais difícil que sejamos abatidos pela sensação de impotência.

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