O novo tempo chegou

O Espiritismo tem na arte uma ferramenta de divulgação, consolo e alegria de viver.  Apresenta a toda gente, as verdades eternas traduzidas em acordes musicais,   suaves melodias, rimas poéticas e vozes harmônicas.

O Brasil é o coração do mundo, pátria do Evangelho. Nas terras do Cruzeiro se desenvolveram projetos de amor e a árvore do Evangelho desenvolveu novas raízes através da vivência Espírita.

O Rio de Janeiro é o berço da arte e da cultura. Dele irradiam influências para as artes em geral, em todo país. Os talentos afloram de seu povo, refletindo na forma de ser de todos nós.

Um movimento de revolução artística antecede sempre uma revolução filosófico moral, pela capacidade de percepção e captação antecipada desses movimentos, pela sensibilidade dos artistas.

No período em que essa criatividade se exterioriza com tanta força e originalidade, surge o movimento de aglutinação de jovens espíritas, durante o carnaval, desde os anos oitenta: A COMEERJ, Confraternização das Mocidades Espíritas do Estado do Rio de Janeiro.

Os quase 40 anos de atividades serviram de ambiente de semeadura e experimento intramuros, para que os trabalhadores da arte espírita fossem forjados e com as devidas ativações, com sensibilidade e sintonia, fossem dados os primeiros passos na direção dos objetivos de qualificação das produções e preparação dos corações.

Vários movimentos foram iniciados dando origem a ambientes seguros, institucionalizados, para a recepção dos talentos latentes e emergentes.

Espíritos reencarnaram a partir dos anos 60 com a finalidade de renovação das mentes através da arte nobre, com beleza, harmonia e candura, com produções capazes de tocar corações endurecidos, com um toque sútil, que só uma expressão artística pode alcançar.  

Assistimos no Rio de Janeiro o surgimento de diversos projetos de Arte Espírita: corais, peças teatrais, grupos de música, compositores, intérpretes, músicos, poetas, oficinas de estudo e prática, mas também, editores, distribuidores, clubes eprodutores de audiovisual. Essas forças foram direcionadas para os fins a que se destinam:  Divulgação do Espiritismo, refrigério na alma e a geração de vigoroso estímulo para que perseveremos sem desânimo, com alegria, destemor, lucidez e prazer, em busca das conquistas eternas.

São os novos tempos de regeneração, que não se realizam agora, já assistimos aos sinais que afirmam a intenção dos tarefeiros do Cristo e o início dessa caminhada.

O Musical ” Entre o Céu e o Inferno”,  produzido pela Oficina de Estudos da Arte Espírita, em Outubro de 2017, apresentado em curta temporada no Teatro Miguel Falabella, no Rio de Janeiro, marca o início de uma nova fase para as pretensões dos adeptos do Espiritismo, em cantar a vida na Terra e no mundo espiritual, as verdades eternas divulgadas em suas obras fundamentais.

 Atuando diretamente na emoção de todos, nos deliciamos com o ambiente criado por seus integrantes, em torno de 100 jovens de 20 a 40 anos, aproximadamente. Fomos transportados à esferas sublimes em viagem ao nosso mundo íntimo, para vivência de momentos de perfeito entendimento da realidade da vida, num processo de percepção com todos os nossos sentidos, toda sensibilidade do nosso ser, em suas dimensões múltiplas.

Retornamos dessa viagem de duas horas de duração, com a sensação que tudo faz sentido na nossa vida. 

O Musical reuniu obras de arte de diversas expressões: músicas de diversos autores, trechos de diversas obras, execução ao vivo de diversos instrumentos, performances vocais em solo, duetos e coral, além das artes cênicas, cenográficas e dança, staff de produção de som, luz e registros audiovisuais, tudo executado com harmonia, técnica, estética, serenidade, sentido de conjunto e maestria. 

A apresentação me transmitiu uma mensagem subliminar que foram necessários 15dias para escrever minhas impressões. Necessitava de tempo para processar todos os registros do que foi falado, cantado e do que não foi sequer pensado pelos produtores.

A sensação é de que já não estamos mais na fase do ensaio com erros e acertos, características do bandeirantismo em termos de Arte Espírita. Chegou a maturidade e estaremos assistindo à junção do belo e do bom, para nosso deleite, renovação de forças e sensação de dever cumprido. Mesmo sem estarmos na equipe, nos sentimos realizados pelo resultado que não se mete somente pela bilheteria. O Espiritismo agradece