Drogradição: por quê Deus permite?

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“Há muitos e muitos anos, em um oásis distante vários dias de grandes povoações, a população local iria testemunhar um fato muito incomum. Um tipo de cacto raro no país, porém comum naquelas cercanias, estava no final da florada e, em breve, seus saborosos frutos poderiam ser colhidos.

Ate aí nada de especial...  só que essa variedade de planta floresce e frutifica somente a cada cinquenta anos, o que torna cada fruto uma preciosidade.

Chegados os dias da colheita, todos estavam ávidos para descobrir o sabor do fruto misterioso (pois pouquíssimas pessoas viviam o suficiente para presenciarem duas temporadas).

Um ancião, no entanto, se encontrava aos gritos entre a multidão, alertando sobre a existência de espinhos pequeninos e venenosos a revestir e defender cada uma daquelas pequenas tentações.

Uns poucos deram-lhe ouvidos e preveniram-se, cobrindo as mãos e o corpo com grossos panos o que, apesar de dificultar a colheita, serviriam para evitar consequências indesejadas.

Os demais, contudo, mais preocupados em satisfazer seu paladar e sua ganância (pois várias pessoas iriam vender a peso de ouro cada guloseima), atiraram-se imprudentemente ao frenesi que se instalou.

Muitas crianças e jovens, seguindo o exemplo de seus pais, colhiam os avermelhados pomos com mãos e braços nus.

Ao final do dia, sem um fruto a mais sequer para ser apanhado, os imprecavidos riam-se do ancião, pois estavam saciados e nada sentiam em seus corpos. Julgaram que ele contava uma lenda apenas ou que tentara dispersar a população para, em proveito próprio, aumentar sua quota na coleta. 

Contudo, no dia seguinte, ao amanhecer se mostraram os estragos da armadilha feroz... o veneno dos espinhos tinha o poder de tornar insensível o local onde penetrara e, reagindo o corpo, bolhas extremamente dolorosas tomaram conta dos corpos de crianças, jovens e adultos, com febre intensa e processos infecciosos persistentes... vários pereceram.

E foram necessários muitos dias até cessarem as dores e muitas luas até que desaparecerem as marcas das escolhas equivocadas”

Infelizmente, a drogadição ganha as dimensões catastróficas que observamos pelos mesmos motivos que fizeram com que a população daquela aldeia sofresse tantas dores: ganância, hedonismo (doutrina pela qual a busca pelo prazer é o único propósito de vida), orgulho... espinhos venenosos de nós, espíritos, habitantes deste mundo ainda de Provas e de Expiações.

Apesar dos alertas e dos fatos, poucos são os que se humildam para investigar e conhecer, a fim de se precaverem, se protegendo e protegendo a quem se ama, através do exemplo e da prevenção.

Na aproximação da evolução da Terra para um mundo de Regeneração, onde o bem sobrepujará o mal e menores serão as dores e sofrimentos, há ainda um longo caminho a ser trilhado, e necessitamos nos livrar das pesadas âncoras espirituais que insistimos em carregar... E o estigma da dependência química é uma infecção dolorosa e purulenta a expurgar de nós, pelo amor e pela dor, tais imperfeições (sejamos drogaditos ou não).

Longe de ser um castigo divino, antes é o efeito de uma causa anterior, da reação a uma ação inicial (ou à falta dela).... é a colheita de cada um de nós e da sociedade como um todo, uma vez que estamos todos nós, habitantes deste orbe, muito próximos e bastante nivelados moralmente.

Na maravilhosa jornada da vida, Deus permite a cada um sua semeadura, mas impõe a colheita... Todavia, podemos lançar novas sementes a partir de agora... não podemos voltar e fazer um novo começo, mas podemos criar um novo fim a cada instante, com decisões e ações conscientes voltadas para o bem e para o amor, ouvindo as palavras e seguindo os exemplos do ancião, Jesus, Mestre por excelência e Médico das almas, anterior a tudo que julgamos conhecer ou imaginar... 

Texto redigido por: 
GRUPO ESPÍRITA EURIPEDES BARSANULPHO
Oficina “Mário Barbosa”