As sementes esquecidas

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“E saiu o velho lavrador para mais um dia de campo...”

A colheita dos girassóis se fôra e restava agora a sementeira a ser colhida para o plantio do próximo ano.

Pacientemente recolheu todos os grãos e os selecionou, separando certa quantidade de sementes imperfeitas... algumas deformadas, outras pequenas... umas tantas leves demais e mais algumas desprovidas de suas cores características.

As boas, guardou em diversas ânforas bem tampadas... mas, temendo dispensar por ali as más sementes e os ventos ou animais as carregarem de volta ao terreno a ser preparado, optou por guardá-las em um vaso de cerâmica, tampando-o e relegando-o a um canto escuro do celeiro.

Porém o ancião não sobreviveu para preparar o próximo plantio e seu filho mais velho o substituiu, vindo a arar a terra e prepará-la conforme havia aprendido...

Porém, ao dispersar as sementes, percebeu que havia cuidado de uma área maior que o esperado, e faltaram os grãos.

Entristecido, porém resoluto, procurou por mais delas no celeiro, encontrando as sementes rejeitadas.

Cheio de esperança, viu vida latente naqueles caroços e resolveu semear a terra faltante com elas... e adubou com carinho... e limpou a erva daninha... e irrigou até que, germinadas e crescidas, florescessem... e muitas produziram trinta, algumas sessenta e outras cem por um.”

Como as sementes do conto, os drogaditos volvem ao plano dos encarnados como espíritos ainda marcados pelos equívocos e dores do passado – Porém, saibamos, nenhuma paixão degradante ou tentação que nos é colocada no caminho é maior que nossas forças para as repudiar (Livro dos Espíritos – Questão 911) - e portanto, têm grande sua cota de responsabilidade pelos próprios tropeços...

Tristemente, o mundo da drogadição e os irmãos dependentes químicos passam, ainda e em grande quantidade, pelo mesmo duro ostracismo que aqueles grãos.

Os medos e os tabus que cercam este epidêmico e avassalador evento, decorrentes da ignorância e do orgulho do homem velho que ainda existe em nós, impede que a vida plena e a luz existentes em cada um daqueles espíritos doentes pela dependência, possam ser reconhecidas, tratadas, cuidadas e direcionadas... e que estes espíritos possam, enfim, viver a vida a trinta, sessenta ou cem por um.

Desconhecendo o assunto, muitos entregam à “sorte” o futuro de seus amores, por não saberem como agir antes, a fim de evitar... ou depois, a fim de os ajudar.

Ficam então, como sementes rejeitadas, ignoradas e enclausuradas, longe da luz de sabedoria que lhes guiaria os passos.

É preciso que o homem novo de cada um de nós brilhe enfim com novos conhecimentos, novas ideias e ideais... somos a luz do mundo por quê somos o elemento transformador, com capacidade e força para reformar o todo mediante nossa vontade... e nosso amor.

Mas sem o necessário conhecimento, seremos apenas folhas aos ventos, a esmo e sem direção, perdendo-nos, nas mais das vezes, em frustrantes tentativas vãs.

Texto redigido por: 
GRUPO ESPÍRITA EURIPEDES BARSANULPHO
Oficina “Mário Barbosa”